sexta-feira, 23 de setembro de 2011

"Tuguismo" @CTT

De facto, quando as coisas começam mal... tarde ou nunca se endireitam.

Não bastasse eu já estar "piúrsa" por ter de pagar por VALE POSTAL uma coisa que poderia pagar por transferência bancária sem ter de sair de casa - parece que dar o NIB de uma instituição pública, como uma Universidade, é uma coisa muito difícil - as cenas que se seguiram tiraram-me mesmo do sério.

Dirijo-me a uma estação dos correios para o envio do tal VALE, sabendo de cor a morada do destinatário. Estão duas pessoas a atender, mais o chefe da estação (ou director, ou seja lá como lhe chamam). Qualquer uma delas trabalha a uma velocidade impressionante. Asseguro-vos que eu, sozinha, conseguiria fazer as tarefas dos três e ainda escrever este Post ao mesmo tempo, sem a menor dificuldade. Mas isso sou eu, que corro o sério risco de ser acusada de excesso de produtividade!

Desenvolve-se então o seguinte diálogo:

Eu: Bom dia. Preciso enviar um Vale Postal. Sei a morada completa, é em Peniche, mas não sei o Código Postal. Pode ajudar-me?
Senhora-Lenta-ao-Balcão: Ahhhh... não.... tem de saber o Código Postal...
Eu: E não pode pesquisar aí na Internet?
Senhora-Lenta-ao-Balcão: Minha senhora!... Nós não temos Internet! (ups! senti-me culpada! coitadinha da senhora que não tem internet).
Eu: OK... E um directório de Códigos Postais? (e penso: afinal, estamos nos correios, ou não???)
Senhora-Lenta-ao-Balcão: Ahhh... também não temos. Isso (Peniche) pertence onde?
Eu: Não sei. Talvez Leiria ou Lisboa?...

E então a Senhora-Lenta-ao-Balcão atira-me com uma lista telefónica... E eu desisti! Resolvi subir 50m da rua para poder, eu mesma, consultar a Internet. É claro que menos de dois segundos depois tinha o dito Código Postal!

Volto à estação dos correios. Tiro outra senha. Espero 5 ou 10 minutinhos, que hoje nem havia muito movimento. E desenvolve-se o segundo diálogo, durante o qual consigo instalar o caos na estação:

Eu: Olá outra vez. Já sei o Código Postal. Quero então enviar um vale!
A Senhora-Lenta-do-Balcão começa a revirar tudo. Pergunta à do lado, também visivelmente perdida, se tinha visto os impressos dos vales postais.
Senhora-Ainda-Mais-Lenta-do-Balcão: ...Estavam aí debaixo desses papéis.
Senhora-Lenta-do-Balcão: Óh Xpto (o chefe, que entretanto sai do gabinete e vem ajudar nas buscas), tens impressos de Vales Postais?
Xpto (depois de revirarem aquilo de pernas para o ar): Olhe, minha senhora, não a posso ajudar. Não há impressos de Vales. Agora só quando vierem mais.
Eu (incrédula): Estamos numa estação de correios e não há impressos? E agora?
Xpto: Agora??? Agora não lhe posso fazer nada!... e continua a balbuciar: "eu ia jurar que tinha visto esses impressos por aqui"


Desisto pela segunda vez, já com cerca de meia hora de aventuras "no bucho"!
Eu: Deixe lá, eu vou a outra estação de correios!
Saio dali, meto-me no carro e dirijo-me à estação de correios da localidade ali ao lado, que fica a uns dois km (graças a Deus!).

E continuo a minha aventura, noutra estação de correios:
Eu: Bom dia. Eu preciso enviar um vale postal.
Senhora-Tão-Lenta-Como-As-Outras-Duas: Bom dia. Com certeza. Preencha este impresso! (ufa! Aqui havia um montinho de impressos! Yesssss!)

Preencho, termino, puxo do Multibanco, e a senhora apressa-se a dizer: Minha senhora!... Nós não temos Multibanco!
Penso para comigo: Porra! Mas estas alminhas têm alguma coisa??? A loja do Chinês tem Multibanco! A miúda que vende bolos num carrinho, lá no Escritório, tem Multibanco! Como é que os CTT não têm Multibanco????
E a senhora continua: Tem um Multibanco já ali à frente!

Sem forças para mais, saio pela porta, vou ao Multibanco, levanto a quantia que precisava (ainda um pouco elevada, o que me obrigou a dois levantamentos) e volto à estação de correios. Nova fila, enquanto elas contavam uma à outra histórias sobre o que comeram ontem, e onde foram, em frente aos clientes que quase bocejavam na fila. Finalmente consegui enviar o maldito Vale!

Desta hilariante peripécia ficam-me duas questões:

- Como serão feitas as avaliações de desempenhos desta maltinha toda? A velocidade e brio com que trabalham são uma coisa pavorosa. E ainda fazem greves! E ainda reivindicam isto e aquilo.... Enfim! Se querem cortar na despesa pública, porque não despedem esta maralha toda, e contratam gente com um pouco mais de cérebro?

- Qual é a visão de negócio que têm os gestores dos CTT? É que suponho que ninguém vai aos Correios para comprar um livro, ou um bilhete de espectáculo, ou um telemóvel, ou uma das milhentas quinquilharias nada baratas que eles agora vendem... E também não me parece que o comum cidadão ande assim a passear-se com muito dinheiro a mais, em notinhas, na sua carteira. Portanto, como raio é que eles conseguem fazer esse "up selling", se não têm multibanco para os clientes pagarem as compras que não tinham planeadas quando decidiram ir levantar aquela carta ou enviar uma encomenda?

É porque somos Tugas! E este é o País que temos... Depois, queixem-se!!!

Old habits die hard!

5 comentários:

L.O.L. disse...

Impressionante. Aliás. Já nada me impressiona neste país da treta.

Estudante disse...

Mas que paródia!... Dá vontade de lhes fazer engolir os vales x)

Anónimo disse...

Cara amiga:

Dentro de dias irá receber um formulário para candidatura aos CTT.

Esperemos que seja do seu agrado...

Mangas arregaçadas.

Até lá.

Teresa disse...

Caro Anónimo,

Será muito bem-vindo! Aliás, estou sempre aberta a novos desafios, e principalmente de mangas arregaçadas!

P.S.: Só é pena ser "anónimo". Esse detalhe não imprimiu grande credibilidade à "oferta" :-(
Mas pode sempre usar o e-amail aí ao lado, que não há nada que não se negoceie!

zequinhas disse...

Olá Teresa ;)

Realmente essa foi uma grande aventura por causa de um simples vale-postal. Já passei por casos bem parecidos com esse.
É de facto impressionante a forma pouco simpatica e muito lenta como somos atendidos em certos balcões dos CTT, das finanças da segurança social...

No meu centro de saúde por vezes faltam as vinhetas para as receitas, nos CTT faltam os vale-postal.

Tiveste muita paciencia porque de facto precisavas mesmo do serviço porque se tivesses alternativa tinhas optado por ela.