sábado, 9 de julho de 2011

No rádio de cozinha

No lindo T2 de subúrbio que recentemente adquiri, tenho um "ultra-moderno" sistema de som que me permite ouvir música em todas as divisões da casa. Uiii que moderno! O Senhor Construtor poderia era ter feito a coisa mais bem feitinha, e eu não teria de gramar a TSF ou a Rádio Cidade na casa de banho (que não apanha mais nada) quando o que me apetece ouvir pela manhã é boa música - coisa que não passa em nenhuma das duas!

Ainda por cima, este sistema tem vontade própria e liga-se ou desliga-se sozinho, conforme lhe apeteça. Ou então, alguém o liga na sala e o som também sai nas colunas do quarto. Ora, nem sempre quem está no quarto quer ouvir música!

Mas, de vez em quando, lá dá qualquer coisita. Por isso, o local onde mais me utilizo dele é na cozinha, enquanto dou asas à minha criatividade culinária - área em que, modéstia à parte, até me safo bem, apesar de não ter comparação com os dotes de Chef do meu Amorido!

Enfim. Como estava a contar-vos, costumo utilizar o "modernérrimo" sistema de som na cozinha. Mas acabo sempre por me "passar" com aquilo, porque a sintonização dos postos de rádio depende do quanto nos mexemos dentro da divisão. Se eu ficar especada em frente ao painel de sintonização, tudo muito bem. Se me desvio por um momento... pronto! Lá se vai a música que eu até estava a gostar de ouvir. Mais uns toquezinhos de "zapping" e.... boa, outro posto! E tenho descoberto rádios que nem nos dias mais cinzentos eu sonhei que existissem!

Um destes dias, preparava eu o jantar, e depois de muito saltitar entre postos... Abracadabra! Foi como se a minha mãe, tivesse voltado a este mundo e tivesse entrado alegremente para fazer o jantar comigo! Foi mágico.

No rádio da minha cozinha, tal como há talvez trinta anos atrás, o Paulo de Carvalho cantava o seu Abracadabra.

E lá viajei, com a música, para os tempos em que eu e os meus irmãos, enquanto a minha mãe preparava o jantar, colocávamos na cozinha o gira-discos. Era um famoso portátil da Philips, em forma de mala, com leitor de cassetes e rádio incorporado, e em que se trocava de 33 para 45 ou 78 rotações girando um botão. Desses finais de tarde musicais, e do bom gosto que sempre caracterizou a minha mãe, lembro-me de aprender a gostar de Simon&Garfunkel, dos Eagles, do Rui Veloso, de discos e mais discos do Zeca Afonso. De tanta e tanta boa música que se ouvia naquela casa... e deste Abracadra!

Já não ouvia isto há muitos anos. Mas ainda me lembro perfeitamente da letra completa!

4 comentários:

L.O.L. disse...

Ena. Não ouvia isto há uns 20 e tal anos. eheheheheheh. Mas que bela recordação. :D

Pseudo disse...

Eu gosto destes revivalismos, musicais ou de outro tipo qualquer. Fazem-me sorrir, as mais das vezes :)

.:GM:. disse...

Eu acho que nunca tinha ouvido isto. :-P It doesn't ring a bell at all!!

.:GM:. disse...

Estou parvo com a qualidade literária da letra. :-P E com o entusiasmo como ele a canta. Ahaha. ;-)