sexta-feira, 6 de novembro de 2009

... (não sei que título dar a este post)

Que estranho é pensar que tudo pode apagar-se em segundos. E depois? Que sentido faz a vida, se pode escapar-nos das mãos? Que sentido faz esta correria desenfreada. A competição em que vivemos. O que temos, onde chegamos, quem somos… é tudo para nada?

A meio do acto, quando ainda há tanta história por contar, pode apagar-se a luz e fechar-se a cortina. E pura e simplesmente acabou. Sem avisos. Terminou o espectáculo - The End!

Não pode ser assim que tudo acaba! Porque assim, a vida deixa de fazer sentido apenas porque existe a morte.

Quero acreditar que esse final é apenas o começo de algo que está ainda muito para além do nosso entendimento. E que o sofrimento de quem fica é apenas mais uma das provações a que esta vida nos submete… Mas, hoje, a revolta é imensa! Há pessoas que não merecem tamanha cruz, e para quem a vida é mesmo filha da p***...

Ao M., em jeito da despedida que nunca farei, deixo o meu “Adeus, até sempre!”. Á minha grande amiga C., deixo o silêncio de quem sabe que nenhuma palavra será suficiente para amainar a dor. Eu estarei sempre aqui.



1 comentário:

Karlota Branka d Neve disse...

"Parem todos os relógios,
cortem o telefone.
Impeçam que o cão ladre
com um osso delicioso.
Calem os pianos e,
com um tambor abafado,
tragam o caixão,
deixem passar os chorosos.
Deixem os aviões sobrevoarem
gemendo lá em cima,
escrevinhando no céu a mensagem:
ele morreu.
Coloquem laços à volta
dos pescoços das pombas.
Deixem os polícias de trânsito
usarem luvas de algodão.
Ele era o meu Norte, o meu Sul,
o meu Este e o meu Oeste.
A minha semana de trabalho
e o meu Domingo de descanso.
O meu meio-dia,
a minha meia-noite,
a minha conversa, a minha canção.
Pensava que aquele amor
duraria para sempre.
Estava enganada.
As Estrelas já não são desejadas,
apaguem-nas.
Embrulhem a Lua
e desmanchem o Sol.
Despejem o Oceano
e varram a Floresta,
porque agora não servem para nada."

W.H.Auden

Não é meu, ainda não consegui escrever o que sinto, talvez por ainda me custar a acreditar, mas transcreve na realidade o porto de abrigo que o meu amor era para mim. O meu rumo, a minha alegria, o meu sentido de viver. No meu coração ficará numa metade, porque a outra morreu com ele também.
Amo-o sempre e para sempre!
E é pelos dois que vou continuar neste trilho de tantas partidas, de tantos sobressaltos. Caminhos sinuosos, por vezes, sem sentido.
Obrigada amiga Teresa.
K