sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A conquista.

Uma coisa que considero importante numa relação a dois, entre variadíssimas outras coisas de importância não menos pertinente, é a arte de continuar a surpreender o outro, mês após mês, ano após ano.

É difícil. Eu sei. Já passei por um longo casamento, que falhou. Já passei por curtos “pseudo namoros” que não vigaram.

E passo agora pela descoberta de um novo grande amor. Talvez, quem sabe, e no que depender de mim, o amor para o resto da minha vida (agora, é como quem diz - já lá vão sete meses de grande felicidade!)

Aos poucos, começamos “a juntar os trapinhos”, como se costuma dizer. Já não temos idade (e sobretudo, paciência) para namoricos de porta de escada. Daqueles em que cada um vive na sua casa, com os seus hábitos e manias. Daqueles namoros em que ele nos vem buscar para sair, aperaltamo-nos como se fossemos ao baile, e depois ele nos devolve ao fim da noite com uma beijoca repenicada a assemelhar-se ao chamado “marmelanço”, à porta do nosso prédio!

Pois bem, juntemos então os trapinhos! Partilhemos a vida e, com ela, todas as suas rotinas… E é aí que começa a parte difícil – é aí que começa a verdadeira conquista.

Sim, que a conquista pelo “marmelanço” é boa, faz todo o milagre inicial, mas pertence a outro capítulo. A verdadeira conquista faz-se depois de juntar os trapinhos.

Ele passa a ver-nos acordar diariamente com o cabelo desgrenhado e aquelas olheiras (e acreditem que o meu lindo cabelo aos caracóis bate recordes pela manhã!). Passamos a ouvi-lo ressonar, e ele a nós. Ele tem que aguentar o nosso péssimo humor quando chegamos a casa, ao fim de um dia de loucos no escritório, e ainda temos o jantar para fazer. Nós temos de gerir o seu silêncio quando as coisas correram mal no escritório. Temos de viver com os pelos da barba dele que ficam no lavatório, com as garrafas da cervejola e as duas horas de futebol ao domingo. Ele tem de sorrir, mesmo com centenas de cabelos espalhados pelo chão ou um soutien acidentalmente esquecido no bidé… com a maquilhagem, as toalhitas desmaquilhantes, os tampões…

Partilhamos a vida. E partilhamos as camas para fazer, as compras no supermercado, as contas para pagar. Ir buscar a miúda, fazer o jantar. Jantar em família, meter a louça na máquina, preparar tudo para amanhã. Partilhamos também o estado extenuado ao fim do dia.

E, no fim disto tudo, ainda partilhamos a vontade de manter acesa a chama e fazer o outro feliz.

É por isso que agora é que começa a verdadeira conquista. A conquista que se faz nos pequenos gestos do dia-a-dia. Como quando adormeço no sofá e ele me leva até à cama, me tapa e me dá um beijo antes de dormir. Quando me envia poemas lindos pela Internet. Quando me vê sair de manhã, e depois me manda uma mensagem a chamar-me “giraça”. Quanto trocamos SMS românticos, ou outras vezes “marotos” ou mais “picantes”. Conquista-me em todas as vezes que me diz, olhos nos olhos, “amo-te!”.


Esta é a verdadeira conquista! A díficil. E a que quero manter, por todos os dias do resto da nossa vida!


4 comentários:

Anónimo disse...

Vês porque digo que és fantástica? É um sortudo esse gajo!
Bj.
R

Precis Almana disse...

:-)
Pois eu sou mais adepta do cada um na sua casa e do namoro eterno... :-p

Teresa disse...

Anónimo (ou não)...
Ou serei eu a sortuda? Eu acredito que sou!
E obrigada por me dizeres sempre que sou fantástica! Faz sempre bem!
Beijocas,
T

Teresa disse...

Precis,
Sim ao namoro eterno! Definitvamente. Até porque qdo o fogo se apaga... é o princípio do fim.
Mas isso do "cada um na sua casa" é uma logística do caraças! Não há quem aguente (ou pelo menos eu!)
E podemos namorar e muito, debaixo do mesmo tecto!
Beijinhos,
T