quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Puxa-saco

Nunca serei ninguém. Ou melhor, nunca subirei muito na minha carreira. E, por vezes, isso deprime-me. Faz-me sentir que não pertenço a este mundo em que vivo!... Mas passa-me logo!!!

Não porque não tenha as capacidades necessárias para tal - modéstia à parte, sou bastante profissional, competitiva e… sei muito disto! Valorizo a formação, a partilha de conhecimentos e a inovação como formas de enriquecimento pessoal e profissional.

Mas, ainda assim, sei que nunca serei ninguém por aqui. Porque não sei viver de vender a minha imagem - irónico, para quem trabalha em comunicação e r.p.! Não sei viver de relacionamentos de conveniência. De dar graxa publicamente a quem mais convém (mesmo que o considere um palhaço!). Não sei viver de gerir interesses, apenas para subir. Não sei viver de aparências. E muito menos de fretes!

Ou melhor, sei mas não consigo. E sei que isso é uma opção minha. Podia fazê-lo, e até nem vejo nada de errado nisso. É apenas uma opção, senão vejamos: eu, e os outros 15 mil empregados da minha empresa (só na minha região) recebemos um e-mail do director a dizer que o fulano tal (chefe de alguma coisa na minha área) foi promovido ou atingiu este ou aquele objectivo e está a ser reconhecido por isso. Eu tenho duas opções: ou penso "boa para ele, é um fulano competente e merece" e fico-me por aí; ou armo-me em “Puxa Saco”. Caso seja esta última a opção da minha escolha, clico de imediato no “Reply to All” – é importante que seja “to all”, para tornar a minha graxa pública – e elaboro um daqueles entusiásticos e-mails de “puxa saco” - qualquer coisa do tipo “Great! Terrific!!! Well done!!! Your work has been fantastic!… blá, blá, blá” – e aproveito para acrescentar em “cc” todos os gajos importantes cá do sítio, para garantir que não falhe.

E assim, sempre que circula um e-mail de reconhecimento/felicitação nesta casa, seguem-se 200 e-mails de “puxa-saco” que nos inundam a mailbox e que servem apenas os propósitos de crescimento de quem os enviou.

E mais. As pessoas que enviam estes e-mails são as mesmas que vão religiosamente almoçar apenas com quem interessa – mesmo que nem sequer sorriam durante o almoço, não possam dizer um disparate ou uma piada, não falem de assuntos banais. São aqueles que telefonam aos “influentes” para agradecer o envio de uma documentação (que até seguiu para outros 1000 funcionários). Que fingem trabalhar durante o dia e depois respondem aos mails às onze da noite.

E resulta???.... Oh, se RESULTA!!!!!!!

Portanto, se nunca vou ser ninguém por aqui, é mesmo só porque não quero! Porque gosto de ter uma vida pessoal e não ter de ver mail às onze da noite para impressionar. Porque gosto de almoçar com a malta do costume, e divertir-me com as parvoíces que dizemos. E porque, acima de tudo, não tenho feitio para dar graxa a ninguém.

Faço o que gosto. Tenho trabalho, e sou feliz. E a vida do Director-Geral, obrigadinha, mas não a quero!



4 comentários:

Chocolate disse...

Ai miga!!!

Já somos duas hein???

Mas na tua àrea ainda dá para ser assim...

Já na àrea comercial nem por isso logo ... tou f***

Enfim pode ser que a minha vida mude de rumo ...

k, e até amanhã

Malitska disse...

Mas há uma coisa importante, és assim porque segues os teus valores...o que interessa para ti é isso, por isso, és feliz assim! E o mais importante de tudo é que és justa, não és puxa saco e as pessoas que gostam de ti é porque és assim!!! Simples e única! Beijos

Precis Almana disse...

Continuamos gémeas ;-) É por isso que estou a fazer a tese e que não tenho uma vida extremamente estabilizada, neste momento mais ou menos dependente da continuidade de um projecto. Mas trabalho nunca me faltou (porque o faço bem e sou reconhecida por isso).

Wagner Augusto disse...

temos é que ser feliz sem importa com os outros.
o mundo as vezes insiste em nos colocar para baixo, mas temos que levandar a cabeça e seguir em frente.

abraço!