segunda-feira, 27 de abril de 2009

Uma questão de "timing".

Acho que desta vez bati o record de "Ausência Prolongada" neste blogue: a minha vida deu uma volta de 180º, pela qual nem eu esperava... mas tem sido uma agradável supresa!

É nestas alturas que concluímos que os ditados populares têm sempre algum fundamento. Lembro-me especialmente do "pela boca morre o peixe"!... E ainda bem que eu não sou um peixe, ou estaria neste momento em muito maus lençóis :) ... É que escrevi,
aqui mesmo neste blogue, há pouco mais de três meses, sobre o facto de não querer escovas de dentes alheias na minha wc, sobre morar sozinha, sobre o "juntar trapinhos"... e eis que fui traída pelas minhas próprias palavras!!!

Não só já tenho uma nova escova de dentes no meu lavatório, como tenho cuecas de homem no cesto da roupa suja! E mais, temos ambos um novo molho de chaves no porta chaves - sim que isto de gerir dois castelos é complicado!!!

E, pondo-me a pensar sobre o assunto, chego à conclusão de que esta rapidez toda tem a ver com a idade - ou será com a maturidade? Não sei...

O facto é que, aos dezoito ou vinte anos, conhecemos um rapazito jeitoso e temos todo o tempo do mundo para namorar. Namorar no conceito clássico da coisa. Namorar com beijinhos no carro, quando nos despedimos, à porta de casa. E esperar que ele nos venha buscar, no outro dia, para irmos juntos dar uma volta.

Aos dezoito ou vinte anos, faz-nos bem lidar com a falta de intimidade - aliás, não há nada mais emocionante do que contar os dias para poder "dar uma rapidinha" às escondidas (perdoem-me a expressão, mas não há nada que a traduza melhor). E estar "na marmelada" durante horas, num jardim público.

Aos dezoito ou vinte anos, podemos andar anos e anos nisto!... até nos separarmos, casarmos, juntarmos, cansarmos... ou simplesmente percebermos que chegou o "timing" certo.

Já aos trinta e seis anos........

Aos trinta e seis anos, já não temos todo o tempo do mundo - na realidade, analizando a coisa a frio, cerca de metade do nosso tempo já lá vai!

Aos trinta e seis anos já sabemos quem somos e para onde vamos. Já sabemos muito bem o que queremos. Já temos (ou pelo menos grande parte de nós tem) o nosso próprio espaço e a nossa vida "arrumada".

E não há nada que nos doa mais do que uma despedida ao fundo das escadas. Damos mais valor às coisas, sem pressas, com partilha e com entrega plena (ok, ok...também gostamos da rapidinha fortuita, para variar).

Aos trinta e seis anos já não temos de nos justificar, senão perante nós mesmos. E deixa de fazer sentido adiar o que é óbvio.

É apenas uma questão de "Timing".

***************

E como a tradição ainda é o que era, aqui está a música. Fresquinha. Acabadinha de sair. Amália Hoje - A gaivota.

E vou a correr ouvir o resto....


3 comentários:

S3ns3l3ss disse...

É a PDI (puta da idade)... definitivamente :) Se estiverem ambos na mesma faixa etária, óptimo, pois compreendem-se. Caso contrário, os ritmos serão diferentes e as pretensões também. Fazes bem. Bjs.

Sónia Santos disse...

E tiveste mesmo aquele timing, por tudo o que partilhaste connosco mas também porque este albúm chegou hoje às prateleiras da fnac e eu espero amanhã já poder dizer eu tenhoooooooooo!!!!beijos

Joao disse...

Resta-me pois parabenizar pela conquista das cuecas de homem na roupa para lavar! E que se divirtam, ora...