segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Envelhecer

Lembro-me que, quando tinha 12 ou 13 anos, costumava deitar-me na cama à noite, e ficar para ali a pensar que o tempo era uma coisa terrivelmente lenta. Parecia que nunca mais passava. E eu teimava em querer crescer. Queria ser como as minhas primas mais velhas. Podiam sair à noite, tinham namorados. Ninguém lhes dizia “não te metas nas conversas dos adultos”!!!

E por isso, à noite deitada na minha cama, enfurecia-me por nunca mais crescer. Porque o rapaz do 12º ano nem sequer olhava para mim, mas namorava com a minha prima - que injustiça! Ou porque ainda me faltava uma eternidade para acabar os estudos. Ou porque tinha de esticar a semanada que me davam, e não podia ganhar um ordenado para fazer dele o que quisesse. E também porque me davam ordens: “tens de fazer isto, tens de fazer aquilo”.

Nessa altura, tudo parecia um drama! Uma nota menos boa na escola (o que, felizmente, era raríssimo), e parecia que o mundo ia acabar. Uma zanga com uma amiga era uma verdadeira tragédia!... Um desgosto amoroso?.... Oh, isso era o fim do mundo!

Não sabemos nada quando temos 12 ou 13 anos!!!

Mas também não sabemos nada quando temos 36! A única diferença é que, agora, o tempo não parece que está parado. Muito pelo contrário. Parece um cavalo a galope. Imparável.

Não sabemos para onde nos vai levar a nossa estrada. Mas sabemos que o tempo corre louco, e que temos de correr com ele.


Por isso, à noite deitada na minha cama, continuo a enfurecer-me. Enfureço-me porque não posso parar o tempo, ou porque as coisas não são como sonhei, e isso dói. Ou até mesmo porque já não tenho uma mesada, mas continuo a ter que esticar um tal ordenado. Porque tenho de fazer escolhas e, às vezes, custam-me tanto!!! Enfureço-me, porque mesmo que ninguém me dê ordens, continuo a sentir tantas pressões, tantos olhares, tantos julgamentos!

Agora, já não quero ser como ninguém. Quero ser exactamente como sou, e continuar assim. Agora, já aprendi que na vida todos os dramas são relativos. No tempo e no espaço. No onde e no como. Aprendi que os dramas de hoje, são pequenas recordações amanhã. Tudo passa. E é o tempo que relativiza tudo.

É por isso que não me assusta envelhecer. Porque a idade me dá experiência e conhecimento. Porque gosto de aventuras, e é uma aventura nunca saber o que vem a seguir.

Não me assusta envelhercer. O que me assusta é atravessar a estrada sozinha, e concluir que escolhi mal. O que me assusta, é um dia deixar de me enfurecer. Perder este entusiasmo e esta paixão que tenho em viver!


Mais do que envelhecer, assusta-me não saber fazê-lo!

I hope I'm Old before I die, Robbie Williams


4 comentários:

Sininho disse...

Miga também não tenho medo de envelhecer, tenho medo é de não faze-lo com a dignidade que merecer, de não fazer tudo o que sonhei, de não dar tudo de mim...

Por isso todos os dias tento dar tudo mas mesmo tudo de mim, independentemente de isso não me ser retribuido pelos outros...

Aprendi uma coisa muito importante, aprendi a gostar de mim e que existem pessoas que gostam muito de mim... e por elas tenho de dar tudo até ser muito mas mesmo muito velhinha... e aprendendo sempre!!

Pulha Garcia disse...

O tempo é um conceito inventado pelos homens. É relativo. É importante ser feliz no dia a dia depois se verá como vai ser o final.

Maria disse...

Tentar ser feliz cada dia, sempre um depois do outro, já não faço planos a longo prazo e as pequenas coisas boas do dia a dia vão contando para a felicidade diária. Assim vamos envelhecendo com mais serenidade.:)

Anónimo disse...

Grande verdade a que relata...
Eu andei uns anos um bocado desgostosa comigo mesma por alguns desses motivos que aponta.
Hoje, não muito longe (34) da sua idade, e depois de muitos desgostos e dores de toda a ordem, descobri que tenho imensos motivos para ser feliz, ganhei força para fazer o meu caminho a solo...UQem não está cá para me ajudar, também não venha atrapalhar...e, senso comum, antes só que mal acompanhada, porque a minha melhor companhia sou eu mesma.
Adoro este seu cantinho. Parabéns, pela frescura dos post's, por esta sua forma de partilha.
Tudo do bom
http://mesmo-meu.blogs.sapo.pt