segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Crónica do Fim... ou do (re)começo

Hoje, ela sentia-se completamente perdida naquela imensidão de espaço de um pequeno T2 de subúrbio. Sentou-se no velho sofá da sala, e deixou-se invadir por aquele silêncio. Depois, fechou os olhos e olhou para trás. Mas não muito, apenas um ano para trás... Exactamente um ano.

E viu-se numa noite de Inverno em Londres - a magia daquela cidade sempre a dominou por completo. É apaixonada por Londres, por tudo e por nada. Pelas luzes, pelas compras, pela história, pelos museus, pela cultura, pela multidão de gente que se em cruza Oxford Street, e que é tudo menos Inglesa. Pela pompa e circunstância do Render da Guarda em Buckingham. Pelo Tamisa. Pelo frio e pelos enormes copos de café em cartão reciclado que lhe aquecem as mãos.

E lá estava ela, parada, na zona de chegadas do Aeroporto de Heathrow. Consumida por um nervoso miudinho, sabia que esta era a sua ultima grande oportunidade. Desta vez, era jogar o tudo ou nada. Olhava o quadro das chegadas - “TPXXX….Expected… Landed” – e mais o aumentava o nervoso miudinho!

Finalmente, alguns (longos) minutos depois ele chega em passos vagarosos. Como se não tivesse pressa. Hoje, ela sabe que apenas ela jogava para o “tudo”. Ele, já sabia que seria “nada”!

Nesse fim-de-semana passearam, conversaram, beijaram-se e tocaram-se pela última vez. Percorreram a pé os imensos quilómetros daquela cidade. Desceram Hyde Park de braço dado. No regresso, foi o fim. Tudo acabou. Ela jogou tudo, mas ele já tinha decidido. Londres foi a despedida.

Agora, sentada no Sofá da Sala, recorda os últimos momentos. E aquele último Natal passado entre lágrimas e súplicas. E um adeus, para sempre...

Abre os olhos e olha novamente em frente. Sabe que foi melhor assim, porque não é possível lutar sozinha por um amor que morreu. E aquele amor já tinha morrido.

De olhos abertos, recosta-se então no sofá e contempla o seu mundo: reconstruiu tudo, naquele T2 de subúrbio onde é agora muito feliz.

Sente-se só, mas será certamente por pouco tempo. Aos poucos, alguém vai ocupando aquele espaço vazio no peito e na alma. Aos poucos, alguém vai povoando o seu pensamento. Alegrando os seus dias. Aos poucos, e de uma forma que jamais esperara poder vir a acontecer.

Pode nunca vir a ser nada. Mas pode vir a ser tudo... E faz com que se sinta tão bem!

E esboça um sorriso – tem todo o tempo do mundo!


The Miracle of Love

4 comentários:

Sininho disse...

Recomeçar é sempre bom...

É sinal que és uma mulher do "Best" que não te deixas abater por uma pequena derrota e que sabes deixar para trás e avançar sem ficar a pensar sempre no passado.

Por isso és especial

Cristina disse...

Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

Bjsss da tua amiga... a tal que recomeça,recomeça, recomeça e recomeça vezes sem conta, não por querer eheheh mas ainda bem que mo obrigaram ..pois sou Feliz ( Hoje pelo menos), e quando deixar de o ser recomeço novamente ....

MH-Words disse...

O importante é saberes quem és e qual o teu caminho.
As pedras que encontrares pelo caminho, apanha-as e guarda-as.. no final farás com elas o teu castelo.

Good Luck...

LetrasAlinhadas disse...

Fico feliz. Já falas nisso, já nem sequer é "tabú"...está ultrapassado e tu sabes, e sabes que o horizonte agora é teu e dá-te um gozo terrível deixá-lo por ali, solto, a pairar, sabendo que ninguém te vai impedir de o agarrar quando o decidires fazer, por ser teu. Unicamente teu.