sábado, 20 de dezembro de 2008

Crónica de uma fantasia

02h00. A adrenalina da espera… É hoje!

Tinha pensado em todos os detalhes e, agora, os seus olhos buscavam-no incessantemente por entre a multidão que balançava, ritmada, ao som da música.

Ela também deixava o seu corpo seguir o ritmo. Adorava dançar – sentia-se solta, invadida por um mar de emoções e feliz. E, à medida que dançava, parecia ser engolida por aquela multidão. Mas o som, alto, não conseguia abafar-lhe o pensamento. As fantasias. E a contagem dos minutos, que teimavam em querer parecer cada vez mais longos.

Num canto, de onde podia contemplar toda a pista, dançava de olhos fechados. Tanto tempo depois, ainda podia sentir aquela barba suave no seu rosto. Exactamente ali.

E por fim, ele chegou, sem que ela o visse. Como uma sombra, aproximou-se das suas costas e colocou as mãos na sua cintura. A sua respiração quente aqueceu-lhe a alma e o corpo inteiro. E uma voz rouca e pausada entrou no seu ouvido, fazendo cada gota do seu sangue desaparecer temporariamente para parte incerta!

- “Serviço de cobranças!... Vim cobrar a dívida que tem comigo”!

O sorriso rasgou-se no seu rosto, acompanhando o arrepio que a percorria. Manteve o seu corpo imóvel, para que pudesse continuar a sentir assim a presença dele. Não conseguia mexer-se. Virou ligeiramente a cabeça, e encontrou os olhos dele, que gritavam mais alto que todas as músicas “Aqui estou eu. Tal como querias”.

Ela sentia-se atraída pelo seu olhar desde o primeiro momento. São olhos que riem. São olhos que, no matter what, parecem directamente ligados à alma. Irreverentes, decididos, divertidos. Um olhar de criança endiabrada, preso a um corpo de homem.

Respirou fundo. Deixou-se ficar. Dançaram por alguns minutos assim, juntos. Ele sentia-lhe o perfume nos cabelos e nos ombros. Ela sentia-lhe o calor da respiração e aquelas mãos que continuavam na sua cintura.

Até que, embalados pela música, os seus olhos se encontraram novamente e os seus rostos se aproximaram lentamente. A multidão desaparecera.

Mas nesse momento, ela abriu os olhos. Voltou a procurá-lo incessantemente pela pista.

Parecia real a sua fantasia… mas, ele nunca chegou!

“I can feel it, coming in the air tonight”


3 comentários:

Sininho disse...

A procura incessante por algo que tanto queremos, que tanto desejamos e depois a desilusão...

Já tive tantas e continuo a tê-las a cada dia que passa...

Mas o que é bom é que sabemos levantar-nos e caminhar em frente!!

Bjs e Siga!!!

Teresa disse...

Amiga,

Neste caso trata-se apenas de uma fantasia. Não forçosamente uma desilusão... apenas uma crónica/ficção, inspirada por um momento...

... sabes, dizem que quando queremos muito uma coisa, se fecharmos os olhos e conseguirmos visualizá-la, conseguiremos realizá-la? Acreditas nisso?????

Ando a testar a toria! ehehehe

Bjs

Sininho disse...

A minha amiga Luisa diz-me sempre isso e mas olha ainda não comprovei a teoria...

Cá andamos a testá-la!!!!

"Água mole em pedra dura tanto bate até que fura!"

Bjs